quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pegadas nas Poesias





É incrivelmente surreal quando notamos que
Nossa existência é passageira.
Nossas idas e vindas não passarão
de caminhos de poeira ao longo de uma rua
velha, suja, e com muita história para contar.

Tantas histórias que a nossa se perde junto
Perto daquela escadaria, ao lado da calçada
Com um vão no cimento rachado.

Lá está minha caixa de lembranças
Minhas cartas sem destinatário,
minhas citações favoritas,
que resolvi deixar para outra pessoa encontrar.

Mas quem procuraria em uma rachadura
Uma série de palavras que mudaram minha vida?
[Amélie Poulain, talvez?]

Nossas vidas passam rapidamente
Como os carros nos viadutos.
Impacientemente aguadando sermos levados
Pelo vento contínuo que é o tempo.

Não há misericórdia que livre-nos do esquecimento;
Não há um grande bem feito que nos mantenha intactos,
tão vivos como costumávamos ser.

Com as mesmas palavras e mesmas citações
Que eu escondi uma vez naquela rua velha,
Em um vão no cimento rachado, que talvez ninguém há de achar.




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Final Alternativo:

Faça-me um favor. Trate de olhar fundos de armários, aberturas pequenas.
E talvez encontrará a essência daquela existência
Que morreu, alterou-se, dissipou-se.
Caso encontrar meus bilhetes, favor não revelar meu nome.
***
(Até os grandes cientistas e filósofos se sentiriam mortos).








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                                                Thalita Cardoso

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